Uma cultura autoritária

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Uma cultura autoritária

Mensagem por Admin em Seg Mar 14, 2016 11:20 pm

O conceito autoritário, de um Executivo forte, de um lado, e o de obediência servil , de outro, bem como o cultivo à Pátria, aos símbolos nacionais, são de inspiração positivista.

Além disso, o pensamento brasileiro se caracteriza por sua vinculação com a realidade, com o evidente caráter pragmático.

As teorias em torno da solução dos problemas partem de situações concretas, com ênfase no aspecto social. Esses conceitos e práticas próprios do positivismo surgiram em fins do século XVIII e fins do século XIX, sob influência do pensamento francês.

Tal mentalidade teve uma influência profunda durante a Primeira República e se infiltrou em grande parte da burguesia em ascensão, com os senhores de terra da época colonial e imperial abraçando a noção autoritária e conservadora.

Hoje em dia, as noções positivistas se encontram dispersas, mas ainda marcantes na sociedade brasileira.

Movimentos Precursores do positivismo


A consumação da Revolução Industrial trouxe enormes efeitos na vida social europeia. Some-se a isso o emprego das descobertas cientificas. Os europeus estavam entusiasmados com a idéia do progresso humano e social com base nas ciências, que prometiam resolver todos os problemas.

A Europa respirava ares da Renascença e do Iluminismo, que enterraram o obscurantismo católico e o absolutismo da Idade Média.

As novas ideias democráticas e liberais levaram à independência dos Estados Unidos (1776) e à Revolução Francesa (1789), o que deixou os conservadores em pânico.

Crise gera soluções, então...


Esse foi o susto dos filósofos europeus que levou ao positivismo. O germe dessa doutrina estava no pensamento do francês Claude Henri de Saint-Simon (1760-1825).

Saint-Simon entendia que a modernidade conduzia ao caos e à anarquia e quis redimir o passado medieval, de paz. Para ele, era preciso resgatar a unidade social e espiritual da sociedade feudal com base no progresso das ciências, que a nova concepção modernista trazia.

Saint-Simon foi mestre intelectual do também francês Auguste Comte (1789-1857), que levou esse raciocínio às últimas conseqüências, embora pensadores positivistas tenham surgido também na Inglaterra, Alemanha e França.

Sentimento anticolonialista


Enquanto isso, o Brasil, em fins do século XVIII, começava a viver a crise do sistema colonial e havia movimentos para derrubar o colonialismo e implantar uma nova ordem.

Se na Europa a modernidade criticava o absolutismo, no Brasil se constituiu no anticolonialismo. Por essa época, dois jovens estudantes brasileiros, Miguel Lemos, nascido em 1854, e Raimundo Teixeira Mendes (1855), travaram conhecimento com as ideias positivistas, que reivindicavam o primado da ciência até mesmo para resolver os problemas sociais.

As ideias liberais chegaram ao Brasil em 1870 e aterrorizaram Lemos e Mendes, conservadores que eram.

A dupla ingressou no pensamento de Comte através de seu discípulo Emilio Littré, que junto com outros dos primeiros seguidores do pensador francês, constituíam o núcleo chamado positivista ortodoxo.

Império da ordem


Para Comte, a humanidade era o fim último. Era o ser que transcende e deve ser venerado, constituindo-se em uma verdadeira religião.

O cerne do positivismo era a valorização do conceito da ordem, da autoridade e da hierarquia. Preconizava a legitimidade do poder, independentemente do consenso do povo. A transmissão do poder deveria ser feita sem participação popular.

Mendes chegou a dizer que não era democrata, mas “sociocrata”. O governo definitivo seria a ditadura republicana, dos grandes industriais, sendo o sistema eleitoral substituído por um no qual cada funcionário nomearia seu sucessor.

A nova sociedade que deveria ser implantada, com o advento da República, deveria ter fundamentos sólidos, daí o império da ordem, que garantiria estabilidade diante do caos liberalista e democrático.

A moral positiva, como ciência, abriria caminho para a implantação de um regime político de caráter autoritário, pois os positivistas invocavam a máxima sublime da cavalaria medieval, “cumpre o teu dever, suceda o que suceder”.

Lemos chegou a defender que, “para ser diretor de homens, é preciso muitas vezes fazer de conta que não se vê, não se ouve e não se compreende, e prosseguir no plano traçado”.

A ordem e o progresso


Por outro lado, os positivistas eram cientes do avanço das ciências e da democracia. Portanto, pretendiam a conciliação entre a tendência conservadora, retrógrada, e o movimento liberal, progressista, visando a síntese entre a ordem e o progresso.

O conceito da ordem é a base do pensamento positivista, com as noções de autoridade, hierarquia e obediência. “Quem é superior, governa. Quem é inferior, obedece”, dizia Lemos. A verdadeira felicidade, diziam os positivistas, era consequência esperada da submissão digna.

A nova ordem é fundamentada na estrutura familiar, na sociedade nacional e na sociedade universal, que é a humanidade, valorizando o sentimento moral da obediência e do dever.

Para incutir a civilidade


Os positivistas enfatizaram a necessidade de impor a educação cívica aos cidadãos, para o cultivo da Pátria, seus símbolos, datas comemorativas e heróis nacionais.

A Bandeira Nacional pós Império foi idealizada pelo positivista Teixeira Mendes, que substituiu o escudo imperial pelo círculo azul estrelado com o lema positivista “Ordem e Progresso”.

Mendes também definiu as datas cívicas nacionais, como o 1º de janeiro (Fraternidade Universal), o 21 de Abril (Tiradentes), o 7 de Setembro (Independência), o 2 de novembro (Finados) e o 15 de Novembro (Comemoração da Pátria), entre outras datas do nosso calendário.

Também definiu os heróis nacionais, como o também positivista Benjamin Constant (o Fundador da República), Tiradentes (Protótipo da Independência Nacional), e José Bonifácio (Líder da Independência Política).

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